A Evolução do Carro Elétrico

11.09.20 16:13 Comentário(s) Por Bruno

Visto que o mundo automotivo está mudando para sempre, carros movidos a combustíveis fósseis estão saindo, enquanto os carros elétricos estão em ascensão, quanto realmente mudou nos últimos cinco anos?  Bem, é hora de descobrir.


Vamos olhar para cinco principais áreas e pintar a imagem de como os carros elétricos se desenvolveram desde 2015. 

NÚMERO DE MODELOS DISPONÍVEIS

Em 2015 havia menos de 30 modelos elétricos híbridos ou plug-in disponíveis na Europa, incluindo edições iniciais de carros como o BMW i3 e o Nissan Leaf. Em 2018, esse número saltou para 154 modelos, e até o final de 2020 os fabricantes oferecerão mais 214 modelos. E, de acordo com a análise, até 2025 os veículos elétricos irão substituir 22% dos veículos produzidos na União Europeia e em 2030, cerca de 50% - o que nos leva ao tópico seguinte:

VENDAS

Desde 2015, as vendas de veículos elétricos na Europa têm crescido a uma taxa de cerca de 41% ao ano, enquanto há uma queda das vendas de combustíveis fósseis ano a ano, com uma queda de 5% apenas no último ano. Havia 736 mil veículos movidos a bateria ou híbridos na estrada em 2015, 2,9 milhões até o final de 2018 e uma previsão de 4 milhões em 2020.


E se dividirmos isso mês a mês, janeiro de 2020 registrou um aumento de vendas 243% sobre janeiro de 2019, com os veículos elétricos agora tendo uma participação de 13% do mercado automotivo europeu. 


Agora, olhando para o lado mais prático dos carros elétricos nos últimos cinco anos, quanto a autonomia melhorou e quanto tem aprimorado significativamente em todo o quadro desde 2015?

AUTONOMIA

Pode-se ver a melhoria olhando para dois modelos que existiam em 2015 e ainda estão disponíveis hoje. Embora com tecnologia atualizada, em 2015 o Nissan Leaf e o BMW i3 tinham uma bateria de 22 kWh e uma autonomia máxima de 135 km. Avançando para 2019, os mais recentes veículos elétricos vêm com uma bateria de 62 kWh e uma autonomia máxima de 384 km. Uma melhoria monumental em apenas quatro anos. 

É a mesma história da BMW i3, com a versão elétrica completa atual que oferece 160 km. Maior autonomia se comparado a versão estendida de 2015. 

Não é apenas a autonomia da bateria que ficou melhor com os veículos elétricos desde então, mas também o tempo de recarga que diminuiu significantemente ao longo do tempo. Em 2015, 30 minutos de carga dava autonomia para rodar cerca 107 km. Utilizando este mesmo tempo, agora em 2020, é possível andar por 450 km.

Esses crescimentos e desenvolvimentos também se alinham aos próprios carros de corrida, que passaram de uma bateria de 28 kWh na primeira temporada da Fórmula E, para uma bateria de 54 kWh, atualmente encontradas nos carros.

A bateria é praticamente a mesma em questão de volume, mas pode armazenar, mais ou menos, o dobro da energia. Enorme avanço em apenas 5 anos. No entanto, não há pontos de carregamento suficientes pelo o que se pode escutar. E isso nos leva ao penúltimo ponto: 

INFRAESTRUTURA DE CARREGAMENTO

Vamos deixar isso simples e apenas olhar para a diferença de número de pontos de carregamento públicos disponíveis na Europa há cinco anos, contra a quantidade existente atualmente.


Em 2015, havia pouco mais de 48 mil pontos públicos, e em julho de 2019 houve um registro de 170 mil pontos - um aumento de quantidade em 353%, e um aumento de 502% nas cargas rápidas e ultra rápidas disponíveis. Mas como isso parece na estrada em termos de autonomia? Bem, em 2015 para cada 100 km de estrada, em média, havia cinco eletropostos públicos, e no final de 2019 para cada 100 quilômetros havia cerca de 23. E isso não inclui as estações de carga privadas, claramente mais disponíveis e encontradas em residências, hotéis ou escritórios, que absorvem uma boa parte dos pontos de carga públicos. 

No Brasil, desde 2018, diversos postos de recarga vêm sendo instalados em rodovias, como a BR-277 no Paraná, que corta o estado de lesta a oeste, e a Rodovia Presidente Dutra, que liga as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, além de diversos outros projetos com concessionárias de energia que estão em andamentos para fomentar a infraestrutura de mobilidade elétrica.

EMISSÃO DE GASES DE EFEITO ESTUFA

A média nacional nos EUA é de 4,8 toneladas de emissões equivalentes para um típico carro elétrico por ano. E este valor é o nível mais alto considerando um país no qual a maior parte da eletricidade usada para carregar e alimentar um veículo elétrico vem de combustíveis fósseis.

A quantidade de emissões é substancialmente menor do que aquele valor em lugares como a Europa e a Nova Zelândia, onde maior da rede é alimentada por energia renovável.

Então, compare isso com o carro movido a combustível fóssil médio que produz 11,4 toneladas de CO2 por ano, é quase duas vezes e meia o nível de um veículo elétrico, mesmo os EUA possuindo energia renovável para abastecer a rede elétrica e não fazendo nenhuma diferença positiva para isso na emissão de CO2 dos automóveis. 

O aumento das vendas de veículos elétricos, ao lado da queda nas vendas de veículos movidos a combustíveis fósseis equivale a um monte de emissões de carbono economizadas. E antes de você dizer que o processo de produção de um carro elétrico cria mais CO2 do que um carro a combustão, o que é não deixa de ser verdade, o excesso seria economizado em menos de 18 meses de condução de um carro elétrico com alta autonomia, e menos de 6 meses para um carro elétrico com baixa autonomia, de modo que o aumento de 205% nos veículos elétricos na Europa desde 2015 não mostra apenas um aumento nas vendas, mas uma enorme redução nas emissões, se essas vendas fossem em carros movidos a combustíveis fósseis. 

Ao longo do ciclo de vida de um carro elétrico, ele emitir até 50% menos emissões do que carros a combustão. E esse número só tende a subir à medida que a tecnologia se desenvolve e a energia renovável fornece mais energia a rede elétrica.

Por fim,


Um aspecto não mencionado, que quase definitivamente teve um papel importante na captação de VEs, é a ideia de que eles não são mais uma atividade realizada superficialmente para os fabricantes. E o desenvolvimento da tecnologia de baterias e trens elétricos criou um mundo totalmente novo de desempenho de carros, mudando muito a perspectiva dos veículos elétricos. 


Eles não são mais apenas carros ecológicos para pessoas que querem diminuir sua pegada de carbono, mas são incrivelmente mais eficientes, com melhor desempenho e máquinas fornecem aos motoristas uma diversão sem fim. O futuro chega rápido e o futuro parece elétrico.
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